O Alinhamento da Remuneração Variável com a Estratégia em Ambientes de Balanced Scorecard

Kleber Albuquerque de Vasconcelos, Georgina Alves Vieira da Silva, Mário Teixeira Reis Neto, Kelly Soares Theotônio

Resumo


Segundo Kaplan e Norton (1997), um sistema fixo de remuneração não mais atende à diversidade de expectativas de remuneração e recompensa do quadro de funcionários. Nesse cenário, os agentes econômicos procuram instrumentos de gestão empresarial que permitam conectar desempenhos individuais ao desempenho organizacional. Tomando-se por base essas considerações, este estudo tem por objetivo analisar como as empresas líderes em seus mercados definem e selecionam os critérios para a aplicação da Remuneração Variável (RV) e como tais critérios se coadunam com os princípios do Balanced Scorecard (BSC). A abordagem foi qualitativa, por meio de uma pesquisa de campo de caráter descritivo, utilizando-se, para coleta de dados, um questionário estruturado com questões abertas e fechadas. Trabalhou-se com uma amostra composta por 17 empresas brasileiras, em três segmentos de negócios (construção pesada, indústria e tecnologia/serviços) e líderes no mercado em que atuam. Os resultados apontaram que, apesar de haver nítida utilização de indicadores associados ao BSC, os modelos de RV estudados não incluem, de forma equilibrada, os indicadores associados à ferramenta. Há dissonância entre o discurso e a prática empresarial e, principalmente, o não reconhecimento da gestão da remuneração como ferramenta de alinhamento e de sustentação das estratégias empresarias.

 

DOI:10.5585/riae.v12i3.1933


Palavras-chave


Indicadores de desempenho; Remuneração por desempenho; Remuneração variável; Sistema de recompensas; Balanced Scorecard.

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